sábado, 14 de novembro de 2009

Para disparar

Hoje, no Morumbi, o São Paulo enfrenta o Vitória para assegurar a ponta do campeonato. Ameaçado por Palmeiras, Flamengo e Atlético MG; O clube paulista luta pelo quarto título consecutivo do nacional.

Com todas as adversidades, o tricolor caminha a vagarosamente para mais uma conquista. Se não haver decisões esquisitas - do STJD e árbitros, e os jogadores em fim de contrato mostrarem o mínimo de vontade, o tetra-hepta está assegurado, mas este ano anda bem difícil.

2 medidas, 1 peso!

O julgamento de STJD, que puniu o São Paulo com perda de um mando de jogo por conta da invasão de um torcedor no jogo São Paulo x Internacional, pode mudar os rumos do BR-2009

A hegemonia paulista no campeonato brasileiro dura cinco edições - Santos, Corinthians e São Paulo - neste campeonato, em especial, algumas decisões, dos árbitros ou STJD, têm tornado a vida dos paulistas mais dificeís. Por exemplo, o gol mal anulado de Obina por Carlos Eugênio Simon no jogo Palmeiras x Fluminense, e agora, na última sexta-feira, a perda do mando de jogo do São Paulo - líder do campeonato - no jogo contra o Sport. O leitor atento me diria " Você é um torcedor fanático, como pode achar errada a decisão contra o São Paulo, só pode estar louco!", explico: no jogo Atlético x Fluminense, no Mineirão, houve invasão de campo, o torcedor foi identificado e detido, assim como no caso do Tricolor Paulista. No entanto, o Atlético MG foi absolvido. Ora, se o caso é parecido porque para duas medidas é usado pesos diferentes?

Sabe o que é mais engraçado, caro leitor? É saber que dois times paulistas estão na ponta e, provavelmente, um deles seria campeão. E o mais engraçado ainda? O principal beneficiado é um time carioca que tem a tabela mais suave dentre os que disputam o título. Não quero criar uma "teoria da conspiração", mais...aí tem! Fluminense beneficiado, agora Flamengo? Isso não cheira bem...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vingança

Infelizmente, devido a motivos quase totalmente mercadológicos/midiáticos, a Libertadores, hoje, tornou-se não um projeto, mas uma obsessão para a maioria dos times brasileiros. Obsessão na qual o até então eficiente e aparentemente bem planejado Sport caiu, como pato. Antes de disputar o torneio sul-americano, o Sport limitava-se à paixão de seus torcedores e a sua secura financeira; e mantinha-se, bem, no Campeonato Brasileiro. Dava até para apostar que, em alguns anos, poderia montar um time para ser campeão. Até que, como disse, veio a Libertadores com seu canto de sereia, a eliminação, e a depressão, que, num campeonato como o Brasileiro, pode significar a morte.
O Sport, porém, tem uma chance de se vingar de seu maior algoz, o Palmeiras, hoje, no Palestra. O Verdinho vem ficando maduro, amarelando mais, a cada rodada. Se o Sport entrar com garra, assustando o time de verde, pode surpreender; os jogadores do Palmeiras estão com uma baita vontade de jogar a toalha... Com uma vitória, o Sport daria pelo menos uma grande alegria para sua torcida esse ano: melar o projeto de seu grande carrasco em 2009.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Tropeço de um, alegria do outro

Assim podemos definir a tabela do campeonato brasileiro. Enfim, o São Paulo chega a liderança e o Palmeiras - depois de tantos tropeços -, amarga a vice-liderança. Em um jogo chato, porém importantissímo, no Maracanã, o tricolor carioca bateu o verdão por 1x0, gol do novo herói das laranjeiras, Fred. Cartolas do Palmeiras reclamam da arbitragem, o motivo: um gol de Obina anulado erradamente.

Outro jogo chave que vale a pena ser comentado, o embate entre Atlético MG e Flamengo, no Mineirão, vitória do time carioca por 3x1. Com isso, o Rubro Negro fica apenas dois pontos do líder e entra pra valer na briga pelo título.

Completando a tarde dos paulistas na rodada, o Corinthians venceu por 2x0 o Santo André em tarde inspirada de Ronaldo. O time alvinegro joga apenas para cumprir tabela, já que não luta pelo título.


Observações

O Flamengo chegou. O Atlético continua na briga. O Cruzeiro espera alguém bobear. O Internacional está cercando, mas nada faz. O Palmeiras pode ficar abalado com a perda da liderança. E, por fim, o São Paulo pode fazer o que fez nos últimos três anos, disparar.

As últimas quatro rodadas serão eletrizantes.

domingo, 8 de novembro de 2009

A cada minuto que passa, os postulantes ao título do Brasileiro, assim como os ameaçados pelo rebaixamento, jogam um pouco mais suas vidas em campo. Sei que a metáfora do "coração na ponta da chuteira" está gasta, porém, é inegável que a cada segundo, a cada chute, ou dividida um pouco do sangue de cada boleiro é derramado no campo de batalha. E é isto o que veremos, hoje, no Maracanã.
De um lado, um Fluminense babando sangue para evitar mais um rebaixamento em sua história, e que faz o torcedor sonhar com esta possibilidade, pois, desde a (boa) volta de Fred, há cinco jogos, o time não sabe o que é perder.
De outro, o Palmeiras, ultrapassado em um ponto pelo time do São Paulo, precisa entrar em campo e mostrar que tem futebol para continuar preocupando o tricolor paulista, que, comparativamente, teve jogo mais fácil na quarta-feira (mesmo sendo forte em seu campo, o Grêmio já não luta por nada no campeonato).
A arena vai ferver hoje no Rio.

***

Ontem o Santos venceu, facilmente, o Náutico, por 3 x 1, no Pacaembu.
De valor mesmo, é preciso ressaltar a ótima exibição de Neymar, rápido e finalizador, e a volta do bom futebol de Mádson. O Santos tem bom time, e precisa, apenas, de tempo e alguns ajustes.

Nota extra-jogo: torcedor santista, não se deixe levar pela politicalha. Luxemburgo tem sido, como foi em outra oportunidade, o cabo eleitoral mais caro de Marcelo Teixeira. Há vida além Luxemburgo, e o atual cotidiano do futebol tem mostrado isso, com seus Manos, Muricys, Ricardos Gomes, e, até, Celsos Roths.
Na vida e no esporte, ninguém é detentor exclusivo do caminho da vitória.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O melhor meio-campo – Corinthians, 98/99



A cultura militarista do futebol, presente especialmente na Província de São Pedro, dá conta de que todo jogador tem que ser um soldado em busca de um ideal único e intransferível, o da vitória – e para isso, os 11 homens em campo e os 7 do banco têm de ser machos sem vontades, sem quereres, sem picuinhas, sem ciúmes e sem todos os defeitos comuns ao homo sapiens. A tal história do “grupo unido”, que todos valorizam – e que o melhor meio campo que vi jogar mandou para as cucuias no nada longínquo ano de 1999.

Há dez anos o Brasil tinha um campeão, que repetiria a dose em dezembro do mesmo ano, um campeão incontestável apesar do tempo de mata-matas e outros desvios da sorte. O Corinthians liderado por Oswaldo de Oliveira, herdeiro de Vanderlei Luxemburgo, que começava a acossar manicures em busca do sonho da Copa do Mundo com a Seleção Brasileira. É evidente, porém, que não será ele o assunto – mas sim o grupo de cobras criadas que tinha o seu time, especialmente no meio campo, onde desfilavam Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho Carioca.

Era um meio campo rico, caro e reluzente, sem dúvidas. Isso olhando de fora, ou com os dez anos passados. Apesar do Corinthians ter a parceria com um banco americano que levava quatro sobrenomes, nenhum dos atletas era realmente caro quando chegou no Corinthians. Vampeta e Ricardinho estavam perdidos na Europa – em PSV e Bordeaux, respectivamente – no ano de 1998, quando acertaram suas transferências para o Parque São Jorge. Rincón pertencia ao Palmeiras, em uma segunda passagem menos brilhante que a primeira, entre 1993 e 1994, e foi o jogador mais caro. Marcelinho já era ídolo no clube, saiu para afundar no Valencia e foi comprado pelos TELEFONES da FIEL, através do DISQUE-MARCELINHO, configurando uma das transferências mais bizarras da história do futebol brasileiro – a Placar disse na época que foi uma farsa, mas a história é um espetáculo.
A questão é que o perfil de nenhum deles cabia na figura do “grupo unido”. Vampeta, polêmico, deixou uma frase sua nos anais do futebol brasileiro quando referia-se ao atraso de salários no Flamengo de 2000: “Eles fingiam que me pagavam, eu fingia que jogava”. No ano referido de 1999, ele fazia com o atacante Edílson uma dupla de baianos que fechava uma senhora panela, recheada com shows horrorosos de axé e viagens espertas a Salvador nos dias de folga. Conta Edílson que a grande amizade nasceu na delegacia, quando ele estava preso por desacato e Vampeta ficou do seu lado por toda a madrugada, esperando a solução. Feio pra cacete, ainda posou de pau duro para uma revista gay, disse que gostava “de outra fruta” e doou o cachê inteiro para um cinema em Nazaré das Farinhas. Esse era só o camisa 5.
Com a 8, Freddy Rincón, que hoje fala português e lidera um time da base alvinegra. Quando vestiu a alvinegra pela primeira vez, disse aos jornalistas que pediam um beijinho na camiseta, um deboche com o recém deixado Palmeiras: “Só beijaria a camisa do meu Deportivo Cáli”. Nunca negou que jogava por dinheiro – por isso mesmo, deixava os pudores e fingimentos no vestiário, entrando no campo disposto a patrolar os adversários na bola e na porrada. Isso inclui até mesmo cuspes na cara de Paulo Nunes.
Na época, Ricardinho, número 11, era louvado como o bom moço da turminha. Rapaz humilde, saído do interior do Paraná, jogado aos leões na difícil França, era o queridinho de alguns setores da imprensa que não convivem muito bem com opiniões próprias. Reportagens da época já davam a entender que ele era também um formador de bolinhos. Até uma pauleira entre ele e Marcelinho que estourou mesmo em 2001, com direito a agressões físicas, acusações de deduragem e ligações para jornalistas.
E Marcelinho, camisa 7. Que chamava Jesus Cristo fora do campo e entrava por cima dentro dele. Um dos jogadores mais odiados da sua época no futebol brasileiro, que correu de Edílson no vestiário – o baiano, armado com uma faca, queria “conversar” sobre uma acusação de trairagem – foi expulso da Seleção pelo próprio Luxemburgo, que oito anos depois lhe chamou de moleque safado em rede nacional.

Tudo isso afora o que não sabemos e nunca vamos saber. A questão toda é o que acontecia quando eles vestiam a 5, a 8, a 11 e a 7. Grandes jogadas, passes, dribles, gols, vitórias e taças. Poderiam não jantar juntos na festa da vitória, mas brigavam muito e esbanjavam qualidade técnica.

Vampeta era um 5 clássico, um dos últimos centromédios. Raramente errava passes e ganhava poucas jogadas na pura força física – tinha como principal recurso a velocidade, com e sem a bola, o que permitia sempre boa recuperação na hora de levar um come do meia. Rincón sim, era um tanque de guerra, que corria da área a área trombando com os adversários. Rincón era um volante quase completo na sua época, contemporâneo que foi de outros gênios da meia cancha como Redondo, Verón e Davids – tinha força e também muita qualidade técnica, batia bem de fora da área e chegava bem dentro da área.

Ricardinho sempre foi o meia esquerda cerebral que ainda comanda as ações quando está jogando pelo Atlético Mineiro, lembrando um pouco dos seus grandes tempos. Marcelinho, impulsivo, finalizador, meia-atacante, um dos maiores mestres da história do futebol nacional em bolas paradas. Talvez o último expoente da guilda de privilegiados que metem a bola onde querem, como se usassem as mãos.

Quase todos os leitores do Impedimento têm muito viva ainda a memória desse grande time. Nem cabe, então, estender muito todas as devidas loas que esse timaço merece; aqui, porém, está uma singela resposta ao Prestes. Esse foi o melhor meio campo que eu vi jogar. Pelo simples fato de que tinha quatro atletas que tinham capacidade de decidir partidas, versáteis, habilidosos, não fugiam da porrada e não só tinham opiniões próprias, como levaram ao gramado o hoje tão combatido atributo da personalidade.

Tinha tudo para dar errado e deu muito certo, por dois anos.

Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos

PS: texto retirado do blog http://impedimento.wordpress.com/

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Será nervosismo?

No primeiro tempo do importante embate, ontem, entre São Paulo e Grêmio, de importante, mesmo, ocorreram apenas os dois gols: bola na área do São Paulo, falha na defesa, gol do Grêmio, e depois, bola na área do Grêmio, falha da defesa, domínio de bola, gol do São Paulo. Dois gols típicos de nossos tempos em que ter um pescoço longo vale mais do que ter técnica. Agora, é justo destacar: ainda que tenham ocorrido apenas esses dois gols, o domínio do primeiro tempo foi do tricolor paulista, domínio este não convertido em chances de tento.
O segundo tempo, porém, foi outro. Com a entrada de Fábio Santos no lugar de Lúcio, o Grêmio ganhou maior mobilidade na passagem do meio de campo ao ataque, e passou a aterrorizar a defesa são-paulina. Finalmente, o jogo ganhava emoção. Rogério Ceni, em boa forma, fez pelo menos duas grandes defesas. E foi nesse clima que entrou em jogo o "Fator São Paulo" desse Brasileirão, um certo nervosismo, ou falta de companheirismo, que leva os atletas a fazerem besteiras: Borges, que entrou no lugar de Washington, pegou Túlio por trás, e foi merecidamente expulso; um minuto depois, Dagoberto, querendo desnecessariamente mostrar raça, pegou o mesmo Túlio numa entrada criminosa, e o árbitro não amarelou.
Com dois a menos, a única opção do São Paulo era recuar, e o fez bem, dando pouca oportunidades para o Grêmio. No fim, ainda, em outra entrada por trás, Jean foi expulso. Agonizante, o jogo caminhou para o empate.
Agora, esperamos, ansiosos, pelo jogo do Palmeiras...