O Campeonato Brasileiro chega a seu fim, arrastando-se, e creio já ser possível tecer algumas considerações sobre o mais importante certame do país:
– O jornalismo continua moralista. Vide, por exemplo, o caso recente, envolvendo o presidente do Palmeiras, o senhor Beluzzo. O dileto homem estourou? Sim. Não poderia tê-lo feito? Não. Porém, é perfeitamente humana sua reação. Ele havia acabado de presenciar seu time ser assaltado, em pleno Maracanã! Noves fora a amarelada palmeirense, é algo a se revoltar. Assistimos, antes de tudo, a uma manifestação de amor de um coração verde em chamas. Acho tudo muito digno. O resto é controle de caixa das emoções humanas.
– O futebol brasileiro continua limitado. Ganha, no final, quem faz mais faltas e quem consegue ter melhor aproveitamento pelo alto. Os gols, via de regra, não saem de jogadas trabalhadas, mediante toques e dribles. Na defesa é bumba-meu-boi, e no ataque, aquela ducha esperta. Como disse Xico Sá, mudem logo o nome do esporte para "sururu na área"!
– Os jornalistas corporativos continuam, por meio de seus sofismas comprados, a querer comparar o futebol de outrora com o atual. Tecendo raciocínios que levam o relativismo às raias da imbecilidade, defendem o "produto" que vendem, e jamais tocam nas chagas abertas do esporte: falta de dinheiro, visões táticas embotadas e gastas, primazia do resultado. Quando querem dar uma de "modernos", repetem o mantra "Organização e Planejamento".
– O São Paulo, time modelo da razão ilustrada, nos moldes do pensamento empresarial (ainda que com tintas tupiniquins), será, mais uma vez, campeão. Assim será enquanto for o único a ter um elenco decente, o único a ter jeitão de bom-moço midiático, e o único a vender a imagem de que não faz jogo de bastidores.
– O Corinthians continua dependendo de jogadores isolados, sem visão futebolística a longo prazo.
– O Santos continua se preparando para ser comprado pelo Vanderlei Luxemburgo.
– O Palmeiras e o Internacional continuam disputando o Troféu Pipoca.
– O Flamengo continua fazendo festa antes da hora.
– Alguns jornalistas, inteligentes e íntegros, mas com opiniões eurocêntricas, vão continuar a defender os pontos corridos, modelo de disputa que será responsável por matar a variedade do futebol brasileiro.
Pronto. Agora vou descer para tomar um anti-ácido.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Briga de cachorro grande
Complementando a 36ª rodada, São Paulo encara o Botafogo, no Engenhão. Já no Maracanã, o Flamengo tenta chegar a liderança enfrentando o Goiás
O tricolor, que busca o tetra-hepta, precisa vencer o Botafogo para se manter na ponta do campeonato, é seguido de perto pelo Flamengo. O time carioca ficou em evidência pelo futebol apresentado e algumas punições do STJD para com os adversários diretos do Rubro-negro. Nesta última semana quem sofreu foi o São Paulo, com a perda do mando de campo e ganchos de Borges, Dagoberto e Jean, três jogos cada um.
É aguardar para definir o futuro do título brasileiro 2009, pelo que tudo indica os dois times brigaram até o fim pela taça.
Fechando a participação paulista, o Santos pega o Coritiba, na Vila Belmiro. O Santos, em eleição, joga para se livrar de qualquer chance de rebaixamento, falta apenas 1 ponto para equipe ficar tranquila.
O tricolor, que busca o tetra-hepta, precisa vencer o Botafogo para se manter na ponta do campeonato, é seguido de perto pelo Flamengo. O time carioca ficou em evidência pelo futebol apresentado e algumas punições do STJD para com os adversários diretos do Rubro-negro. Nesta última semana quem sofreu foi o São Paulo, com a perda do mando de campo e ganchos de Borges, Dagoberto e Jean, três jogos cada um.
É aguardar para definir o futuro do título brasileiro 2009, pelo que tudo indica os dois times brigaram até o fim pela taça.
Fechando a participação paulista, o Santos pega o Coritiba, na Vila Belmiro. O Santos, em eleição, joga para se livrar de qualquer chance de rebaixamento, falta apenas 1 ponto para equipe ficar tranquila.
Enquanto isso no Pacaembu...
Ontem, o Corinthians, com time misto, perdeu de virada para o Náutico, 3x2. Com isso, o Timbu encosta no Fluminense e tenta fugir do rebaixamento. Já o Corinthians anda cumprindo tabela, esperando só o clássico contra o Flamengo para jogar sua última partida importante do ano.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Título longe, Libertadores talvez
O Palmeiras na noite de ontem enfrentou o Grêmio, no Olímpico, perdeu por 2x0 e ficou, praticamente, sem chances do título brasileiro
A dinâmica do primeiro tempo foi o time gaúcho agredindo e o Palmeiras tentando criar contra-ataques, porém o gol gremista no final da etapa inicial desencandeou um fato desagradável na ida do vestiário palmeirense: Os jogadores Obina e Maurício se agrediram quando caminhavam para o túnel e foram expulsos pelo árbitro.
O time alviverde ficou a segunda etapa inteira com nove jogadores. O Grêmio, por sua vez, já não parecia inspirado e fez um gol chorado com Max López.
Para o time do Parque Antártica resta a Libertadores, já que o líder, São Paulo, pode abrir seis pontos de vantagem.
Aos brigões ficou o exemplo de serem dispensados do clube após a má conduta.
Isso me lembrar que no jogo São Paulo x Vitória, André Dias e Hugo tiveram um lance parecido, porém não houve socos como os palmeirenses, contudo, empurrões e bate bocas marcaram a partida.
O que está acontecendo com os times paulistas, afinal?
A dinâmica do primeiro tempo foi o time gaúcho agredindo e o Palmeiras tentando criar contra-ataques, porém o gol gremista no final da etapa inicial desencandeou um fato desagradável na ida do vestiário palmeirense: Os jogadores Obina e Maurício se agrediram quando caminhavam para o túnel e foram expulsos pelo árbitro.
O time alviverde ficou a segunda etapa inteira com nove jogadores. O Grêmio, por sua vez, já não parecia inspirado e fez um gol chorado com Max López.
Para o time do Parque Antártica resta a Libertadores, já que o líder, São Paulo, pode abrir seis pontos de vantagem.
Aos brigões ficou o exemplo de serem dispensados do clube após a má conduta.
Isso me lembrar que no jogo São Paulo x Vitória, André Dias e Hugo tiveram um lance parecido, porém não houve socos como os palmeirenses, contudo, empurrões e bate bocas marcaram a partida.
O que está acontecendo com os times paulistas, afinal?
domingo, 15 de novembro de 2009
De modelos e modelos
Sinceramente, acho muito pobre ficar, aqui, tecendo comentários a respeito de amareladas do Palmeiras, ou sobre como mais um Brasileiro vai caindo no colo do São Paulo. O futebol em nosso país virou isso aí, essa pasmaceira.
Em virtude disso, gostaria de traçar algumas reflexões sobre o que fez o São Paulo atingir tal hegemonia. O que leva o tricolor paulista a tanta força e estabilidade?
Sem querer apelar para jogos de bastidores e outros piripaques conspiratórios, destaco dois pontos, a meu ver principais:
– Elenco: o São Paulo não tem craques. Hernanes é uma pérola oriunda das categorias de base, assim como foi Robinho, no Santos: é um a cada vinte anos. O tricolor investiu, mesmo, pesado, em um bom conjunto de jogadores razoáveis – alguns especialistas (como Jorge Wagner e suas bolas paradas), outros apenas voluntariosos, como Zé Luís. Qual a vantagem disso? É um grupo sem desníveis. No São Paulo, sai um razoável, e entra outro. No Corinthians, Santos e Palmeiras, quando sai um razoável (ou, pior, um jogador bom, ou craque) não há substituição. Responda, palmeirense: quem substitui a altura Diego Souza e Cleiton Xavier? E você, flamenguista: quem substitui Adriano, ou Petkovic? Alguém pode chegar e dizer: o São Paulo não sentiu falta do Hernanes. Não sentiu porque o elenco é grande, e permite variações táticas, assim, mesmo com razoáveis, é possível manter um padrão forte.
– Padrão tático: talvez o São Paulo seja o único time com esta vantagem, aqui no Brasil. O São Paulo joga com uma zaga forte, e dois volantes fazendo a cobertura desde, pelo menos, 2005. A jogada aérea data mais ou menos daí também. Os suspiros de criatividade de Hernanes só vieram acrescentar um algo a mais. Qualquer jogador que entre, hoje, no São Paulo sabe exatamente o que fazer. O time é frio, não empolga, é robótico. De todos os quatro primeiros, o São Paulo é o único cujo aproveitamento nunca passou dos 57%; ou seja, nunca foi um time brilhante, e sempre exageradamente matemático.
A que conclusão eu chego? Ora, leitor, realmente penso que devemos imitar o São Paulo, porém, no primeiro ponto indicado, jamais no segundo.
Em virtude disso, gostaria de traçar algumas reflexões sobre o que fez o São Paulo atingir tal hegemonia. O que leva o tricolor paulista a tanta força e estabilidade?
Sem querer apelar para jogos de bastidores e outros piripaques conspiratórios, destaco dois pontos, a meu ver principais:
– Elenco: o São Paulo não tem craques. Hernanes é uma pérola oriunda das categorias de base, assim como foi Robinho, no Santos: é um a cada vinte anos. O tricolor investiu, mesmo, pesado, em um bom conjunto de jogadores razoáveis – alguns especialistas (como Jorge Wagner e suas bolas paradas), outros apenas voluntariosos, como Zé Luís. Qual a vantagem disso? É um grupo sem desníveis. No São Paulo, sai um razoável, e entra outro. No Corinthians, Santos e Palmeiras, quando sai um razoável (ou, pior, um jogador bom, ou craque) não há substituição. Responda, palmeirense: quem substitui a altura Diego Souza e Cleiton Xavier? E você, flamenguista: quem substitui Adriano, ou Petkovic? Alguém pode chegar e dizer: o São Paulo não sentiu falta do Hernanes. Não sentiu porque o elenco é grande, e permite variações táticas, assim, mesmo com razoáveis, é possível manter um padrão forte.
– Padrão tático: talvez o São Paulo seja o único time com esta vantagem, aqui no Brasil. O São Paulo joga com uma zaga forte, e dois volantes fazendo a cobertura desde, pelo menos, 2005. A jogada aérea data mais ou menos daí também. Os suspiros de criatividade de Hernanes só vieram acrescentar um algo a mais. Qualquer jogador que entre, hoje, no São Paulo sabe exatamente o que fazer. O time é frio, não empolga, é robótico. De todos os quatro primeiros, o São Paulo é o único cujo aproveitamento nunca passou dos 57%; ou seja, nunca foi um time brilhante, e sempre exageradamente matemático.
A que conclusão eu chego? Ora, leitor, realmente penso que devemos imitar o São Paulo, porém, no primeiro ponto indicado, jamais no segundo.
sábado, 14 de novembro de 2009
Para disparar
Hoje, no Morumbi, o São Paulo enfrenta o Vitória para assegurar a ponta do campeonato. Ameaçado por Palmeiras, Flamengo e Atlético MG; O clube paulista luta pelo quarto título consecutivo do nacional.
Com todas as adversidades, o tricolor caminha a vagarosamente para mais uma conquista. Se não haver decisões esquisitas - do STJD e árbitros, e os jogadores em fim de contrato mostrarem o mínimo de vontade, o tetra-hepta está assegurado, mas este ano anda bem difícil.
Com todas as adversidades, o tricolor caminha a vagarosamente para mais uma conquista. Se não haver decisões esquisitas - do STJD e árbitros, e os jogadores em fim de contrato mostrarem o mínimo de vontade, o tetra-hepta está assegurado, mas este ano anda bem difícil.
2 medidas, 1 peso!
O julgamento de STJD, que puniu o São Paulo com perda de um mando de jogo por conta da invasão de um torcedor no jogo São Paulo x Internacional, pode mudar os rumos do BR-2009
A hegemonia paulista no campeonato brasileiro dura cinco edições - Santos, Corinthians e São Paulo - neste campeonato, em especial, algumas decisões, dos árbitros ou STJD, têm tornado a vida dos paulistas mais dificeís. Por exemplo, o gol mal anulado de Obina por Carlos Eugênio Simon no jogo Palmeiras x Fluminense, e agora, na última sexta-feira, a perda do mando de jogo do São Paulo - líder do campeonato - no jogo contra o Sport. O leitor atento me diria " Você é um torcedor fanático, como pode achar errada a decisão contra o São Paulo, só pode estar louco!", explico: no jogo Atlético x Fluminense, no Mineirão, houve invasão de campo, o torcedor foi identificado e detido, assim como no caso do Tricolor Paulista. No entanto, o Atlético MG foi absolvido. Ora, se o caso é parecido porque para duas medidas é usado pesos diferentes?
Sabe o que é mais engraçado, caro leitor? É saber que dois times paulistas estão na ponta e, provavelmente, um deles seria campeão. E o mais engraçado ainda? O principal beneficiado é um time carioca que tem a tabela mais suave dentre os que disputam o título. Não quero criar uma "teoria da conspiração", mais...aí tem! Fluminense beneficiado, agora Flamengo? Isso não cheira bem...
A hegemonia paulista no campeonato brasileiro dura cinco edições - Santos, Corinthians e São Paulo - neste campeonato, em especial, algumas decisões, dos árbitros ou STJD, têm tornado a vida dos paulistas mais dificeís. Por exemplo, o gol mal anulado de Obina por Carlos Eugênio Simon no jogo Palmeiras x Fluminense, e agora, na última sexta-feira, a perda do mando de jogo do São Paulo - líder do campeonato - no jogo contra o Sport. O leitor atento me diria " Você é um torcedor fanático, como pode achar errada a decisão contra o São Paulo, só pode estar louco!", explico: no jogo Atlético x Fluminense, no Mineirão, houve invasão de campo, o torcedor foi identificado e detido, assim como no caso do Tricolor Paulista. No entanto, o Atlético MG foi absolvido. Ora, se o caso é parecido porque para duas medidas é usado pesos diferentes?
Sabe o que é mais engraçado, caro leitor? É saber que dois times paulistas estão na ponta e, provavelmente, um deles seria campeão. E o mais engraçado ainda? O principal beneficiado é um time carioca que tem a tabela mais suave dentre os que disputam o título. Não quero criar uma "teoria da conspiração", mais...aí tem! Fluminense beneficiado, agora Flamengo? Isso não cheira bem...
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