terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Não vale acabar com o Jobson

Claro que o Jobson, mais uma vez, fez bobagem. Não dá para um atleta profissional cheirar cocaína, priincipalmente, às vésperas de jogos importantes. Ele agiu de forma irresponsável.

Mas é absurda essa ideia de banir o sujeito do futebol. Há no caso uma questão fundamental: o Jobson não se dopou, ele se drogou. Isso é bem diferente. Cheirou pó da mesma forma que poderia ter enchido os cornos (dizem que ele é bom nisso também), fumado uns dez baseados, tomado um ácido. Ou poderia ter feito tudo ao mesmo tempo, sei lá. Mas nada disso o ajudaria em campo, melhoraria sua performance. Ao contrário: pó, maconha, birita e ácido só prejudicam o desempenho de um atleta.

O caso do Jobson é bem diferente daqueles de atletas que tomam bagulhos para aumentar a musculatura, emagrecer ou dar um gás em seu rendimento. O então atacante do Botafogo apenas agiu de forma irresponsável ao consumir uma droga proibida. Se tivesse bebido até cair uns dois dias antes dos jogos, nada de grave iria lhe acontecer, ele não correria o risco de ser punido.

Há um certo consenso entre os dirigentes esportivos e jornalistas: atletas têm que ser exemplos, não podem fazer besteira, têm que ser melhor do que somos. É como se não pudessem ser humanos. O álcool é, de longe, a droga mais consumida no país e a que mais gera problemas de saúde - uma pesquisa publicada hoje mostra que 70% dos jovens brasileiros já beberam. Mas, como é legalizado, tudo bem, pode. Pó, maconha e que tais não podem. Ok, são proibidas e isso deve ser respeitado. Mas, caramba, não se pode impedir um sujeito de 21 anos de exercer sua profissão. A menos, claro, que se queira afundá-lo de vez.

Muita gente usa drogas ilegais - médicos, cineastas, jornalistas, atores, escritores, cantores, corretores de seguro, motoristas de ônibus, empresários, políticos. E nenhum deles é impedido de exercer sua profissão (a menos, claro, que se droguem durante o expediente ou cometam uma sucessão de besteiras). Não faz assim tanto tempo, um famoso ator foi preso quando ia comprar drogas, acabou internado. Ninguém o crucificou - ao contrário, foi abraçado por colegas de profissão, pela empresa em que trabalha e, mesmo, pelos jornais e revistas. Foi tratado como vítima, não como criminoso. Sobre ele não são despejadas manifestações de preconceito quanto as que ameçam afogar o Jobson.

Entre os pecados cometidos no mundo do futebol, o do Jobson é dos menores. Ele não apitou pênalti inexistente, não recebeu comissão para construir estádios ou viabilizar patrocínios, não embolsou dinheiro em transações de jogadores, não surrupiou renda de jogo beneficente, não recebeu ingresso gratuito para torcer por seu time, não provocou brigas, não matou ninguém. A cocaína, insisto, sequer teria como fazê-lo jogar melhor. Jobson cometeu uma irresponsabilidade que prejudicou apenas uma pessoa, ele mesmo.

O que deve ser feito? Não sei. Talvez um gancho, uma suspensão. É preciso ter um mínimo de responsabilidade em qualquer profissão, o Jobson tem que aprender isso. Mas sei que não se pode acabar com a vida de um jovem que, como tantos outros, fez algumas bobagens. Burrices que - não custa ser redundante - não machucaram ninguém.

Fernando Molica

Texto extraído do site: http://www.fernandomolica.com.br/

domingo, 13 de dezembro de 2009

Balanço geral

Este blog anda devendo uma análise a respeito dos resultados do mais concorrido Brasileiro dos últimos tempos. Assim, vamos lá.

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O presente escrevinhador precisa admitir uma coisa: começou a atividade de comentarista de futebol do jeito certo, como todo bom comentarista, ou seja, errando.
Lá para o meio do ano, eu afirmei, quase sem dar margem a dúvidas, que o time campeão seria, novamente, o São Paulo. Os motivos seriam os mesmos de sempre: o Tricolor paulista não é dono de nenhuma seleção, porém, possui um elenco grande e adaptável, cheio de bons jogadores; na hora H, grande sacada da diretoria são-paulina, essa combinação raramente falha.
Qual não foi minha surpresa, então, quando, justo nos dois jogos mais prosaicos que tinha pela frente, contra um semi-rebaixado (Botafogo) e contra um time já sem grandes aspirações (Goiás), vejo que o São Paulo consegue tomar sete gols? Acendendo para o sedento Flamengo aquela sonhada luz no fim do túnel? Primeiro time de chegada da era dos pontos corridos, o Mengão não perdoou.

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O Brasileiro de 2009 jogou por terra uma série de preconceitos que foram sendo erguidos, qual muralha, desde o início da era de pontos corridos.
Primeiro: não se deve trocar de técnico. Ora, São Paulo e Flamengo, os dois maiores postulantes ao título, trocaram seus técnicos, sentindo na pele, e nos pontos, os benefícios da troca. É claro, porém, que não é regra. Palmeiras trocou, e veja no que deu... O que fica, para guardar, é que futebol não é coisa para cartilha de funcionário público Caxias. Varia como as ondas do mar. Abaixo o bom-mocismo tecnocrata!
Segundo: a lenda do time que joga junto há bastante tempo. Novamente, Flamengo montou boa parte de sua equipe durante o campeonato, e cresceu na hora certa.
Terceiro: cadê os técnicos especialistas, professores do óbvio, que falam bonito e "fazem um time jogar". Muricy foi engolido pela nhaca palmeirense, e afundou em sua mania de 3-5-2, e em substituições confusas, ou, às vezes, por demais óbvias. Luxemburgo, bem, faz tempo que não honra o que ganha, preocupando-se mais em ganhar dinheiro do que em ganhar títulos. Mano, novo na "elite" do futebol não conceguiu motivar um time que ganhou tudo no primeiro semestre, e deixou-se levar pelo canto de sereia da Libertadores, entoado por uma diretoria incompetente, que não soube manter um time campeão.
Enquanto isso, treinadores de perfil mais calmo e humilde, sem muita mídia, chegaram. Ricardo Gomes implantou seu estilo no São Paulo, variando um pouco mais as jogadas tricolores. Andrade fez Petckovic jogar de novo, deu uma utilidade aos bons laterais do Flamengo, e fechou a equipe em torno da estrela de Adriano. Isso sem contar Mario Sérgio, que conseguiu motivar o apático Internacional.

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Agora, uma coisa é preciso admitir: nos pontos, o Brasileiro é muito bom, disputado, emocionante; agora, na técnica, é nivelado por baixo, infelizmente. Poucos são os times, dentre eles o Flamengo, que colocam a bola no chão, fazem-na rolar pelo gramado. Poucos são os dribles e as jogadas menos óbvias. Abundam a retórica de guerrilha (incentivando a violência) e a apologia da "pegada", do jogo amarrado. Os técnicos brasileiros precisam ver um jogo do Arsenal. Um só, qualquer um.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Seco no canto

Uma coisa tenho de confessar: torci ontem para o Flu. Time com brio, raçudo, um pouco titubeante, mas incansável. Se não fosse a expulsão do Fred...

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Dias atrás, neste espaço, defendi o professor Belluzzo, por ocasião do episódio no qual ele, claramente irritado, espinafra o árbitro de Fluminense x Palmeiras.
É claro que não considero correta atitude do dirigente, porém, contra a corrente dos jornalistas defensores da "ética e dos bons costumes", também não condeno o homem. Veja bem a palavra utilizada: o homem. Um homem que tem nervos, sangue, que se apixona e se irrita.
Pois bem, quis o destino que, um dia após ter publicado meu comentário, saísse na Internet um vídeo do mesmo dirigente, novamente cedendo a seus impulsos, mas desta vez numa festa da Mancha Verde, e gritando impropérios injustificáveis: "Vamo matar os bambi!". Há um limite muito tênue entre a vazão dada às paixões humanas, mesmo que mal pensadas, e um episódio como o visto, que, no mínimo, incitava à violência.
Não sou bobo, como muitos comentaristas por aí se fazem, de achar que o presidente de um clube jamais deva dar voz a suas torcidas organizadas. Em sua maioria, em todos os clubes, as ditas organizadas não passam de gangues, porém, gangues com influência dentro do clube, e capazes de tornar a vida da equipe um inferno. É preciso conversar com elas, "compor", como diria o presidente Lula. Agora, vestir a farda e partir para a guerra, com fez Belluzzo, são outros quinhentos...

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Desonestidade. Apenas essa palavra seria capaz de resumir o que a imprensa perpetrou contra o Corinthians essa semana, em virtude da derrota para o Flamengo. Comentários veiculados, por jornalistas ditos imparciais, davam conta de que o Corinthians teria "entregado" o jogo.
Ora, caro leitor, quando este que vos escreve parou de falar sobre o Corinthians, mesmo? Se bem me lembro, quando o time perdeu para o Goiás, em casa, por 4 x 1. Daí em diante, percebi que o time jogava no lixo o principal campeonato do Brasil. Foi só ladeira abaixo, e um monte de jogador encostado esperando as férias.
O Corinthians conseguiu perder de 3 x 2 para o Náutico! Alguém aí se iludia de que um time sem lateral esquerdo, sem lateral direito, sem primeiro volante, e sem meia conseguiria derrotar um dos postulantes ao título?
Novamente, a dita imparcialidade nunca é utilizada com o Timão...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A melhor rodada de todos os tempos

O campeonato poderia ter sido decidido no último domingo, porém, a vitória do Flamengo e a derrota do São Paulo muda o favorito a título brasileiro. O time carioca que enfrenta o Grêmio na última partida tem a chance do Penta - ou hexa para os fanáticos - campeonato. O tricolor paulista tem de vencer e rezar para o tropeço de seus adversários.

Domingo à tarde teve uma obra de arte produzida no Parque Antártica, um gol de gênio lapidado por Diego Souza, depois de uma dividida entre Vágner Love e o goleiro do Atlético MG, o meia no circulo central pegou a bola de primeira e colocou na gaveta, um dos gols mais bonitos do futebol.

Voltando aos resultados, o jogo entre Corinthians e Flamengo terminou com muitas reclamações dos alvinegros, que acusaram o juiz de inverter várias faltas e marcar um pênalti inexistente, tanto que o goleiro Felipe nem tentou agarrar a bola em protesto ao juiz. Final de partida 2x0 Flamengo.

Ao meu ver, esse campeonato deveria ser sempre assim, todos os jogos no mesmo dia e horário, a emoção de acompanhar 10 jogos ao mesmo tempo é incomparável. Diga não aos mata-matas, viva os pontos corridos!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Tudo como dantes...

O Campeonato Brasileiro chega a seu fim, arrastando-se, e creio já ser possível tecer algumas considerações sobre o mais importante certame do país:

– O jornalismo continua moralista. Vide, por exemplo, o caso recente, envolvendo o presidente do Palmeiras, o senhor Beluzzo. O dileto homem estourou? Sim. Não poderia tê-lo feito? Não. Porém, é perfeitamente humana sua reação. Ele havia acabado de presenciar seu time ser assaltado, em pleno Maracanã! Noves fora a amarelada palmeirense, é algo a se revoltar. Assistimos, antes de tudo, a uma manifestação de amor de um coração verde em chamas. Acho tudo muito digno. O resto é controle de caixa das emoções humanas.

– O futebol brasileiro continua limitado. Ganha, no final, quem faz mais faltas e quem consegue ter melhor aproveitamento pelo alto. Os gols, via de regra, não saem de jogadas trabalhadas, mediante toques e dribles. Na defesa é bumba-meu-boi, e no ataque, aquela ducha esperta. Como disse Xico Sá, mudem logo o nome do esporte para "sururu na área"!

– Os jornalistas corporativos continuam, por meio de seus sofismas comprados, a querer comparar o futebol de outrora com o atual. Tecendo raciocínios que levam o relativismo às raias da imbecilidade, defendem o "produto" que vendem, e jamais tocam nas chagas abertas do esporte: falta de dinheiro, visões táticas embotadas e gastas, primazia do resultado. Quando querem dar uma de "modernos", repetem o mantra "Organização e Planejamento".

– O São Paulo, time modelo da razão ilustrada, nos moldes do pensamento empresarial (ainda que com tintas tupiniquins), será, mais uma vez, campeão. Assim será enquanto for o único a ter um elenco decente, o único a ter jeitão de bom-moço midiático, e o único a vender a imagem de que não faz jogo de bastidores.

– O Corinthians continua dependendo de jogadores isolados, sem visão futebolística a longo prazo.

– O Santos continua se preparando para ser comprado pelo Vanderlei Luxemburgo.

– O Palmeiras e o Internacional continuam disputando o Troféu Pipoca.

– O Flamengo continua fazendo festa antes da hora.

– Alguns jornalistas, inteligentes e íntegros, mas com opiniões eurocêntricas, vão continuar a defender os pontos corridos, modelo de disputa que será responsável por matar a variedade do futebol brasileiro.

Pronto. Agora vou descer para tomar um anti-ácido.

domingo, 22 de novembro de 2009

Briga de cachorro grande

Complementando a 36ª rodada, São Paulo encara o Botafogo, no Engenhão. Já no Maracanã, o Flamengo tenta chegar a liderança enfrentando o Goiás

O tricolor, que busca o tetra-hepta, precisa vencer o Botafogo para se manter na ponta do campeonato, é seguido de perto pelo Flamengo. O time carioca ficou em evidência pelo futebol apresentado e algumas punições do STJD para com os adversários diretos do Rubro-negro. Nesta última semana quem sofreu foi o São Paulo, com a perda do mando de campo e ganchos de Borges, Dagoberto e Jean, três jogos cada um.

É aguardar para definir o futuro do título brasileiro 2009, pelo que tudo indica os dois times brigaram até o fim pela taça.

Fechando a participação paulista, o Santos pega o Coritiba, na Vila Belmiro. O Santos, em eleição, joga para se livrar de qualquer chance de rebaixamento, falta apenas 1 ponto para equipe ficar tranquila.

Enquanto isso no Pacaembu...

Ontem, o Corinthians, com time misto, perdeu de virada para o Náutico, 3x2. Com isso, o Timbu encosta no Fluminense e tenta fugir do rebaixamento. Já o Corinthians anda cumprindo tabela, esperando só o clássico contra o Flamengo para jogar sua última partida importante do ano.